|
Todo
conteúdo deste site está protegido pelos Direitos Autorais
conforme Certicado de Registro nº 487.113 - Livro 920 folha 108
expedido pela Fundação BIBLIOTECA NACIONAL - Ministério
da Cultura. A reprodução em todo ou em parte do conteúdo
do site xangosol.com poderá sofrer as penalidades da Lei.
Orixás da Nação Ijexá
| Origens No período da escravidão,
os escravistas eram interessados exclusivamente na força
de trabalho do africano, mas nos porões dos navios
negreiros, além de músculos, vinham ideias,
sentimentos, tradições, mentalidades, hábitos
alimentares, rituais, canções, crenças
religiosas, formas de ver a vida, e o que é mais
incrível, o africano levava tudo dentro de sua alma,
pois não lhe era permitido carregar seus pertences.
Da Nigéria e do Benin vieram as principais raízes
dos cultos afro-brasileiros, o Candomblé da Bahia,
o Xangô de Pernambuco, o Tambor de Mina do Maranhão
e o Batuque do Rio Grande do Sul, os quais possuem fortes
vínculos de origem com as crenças religiosas
dos povos de língua iorubá e fon.
Em Ouida, onde ficava um dos grandes portos de embarque
de escravos, os negros percorriam um caminho de cinco quilômetros
da cidade até o porto. Neste percurso todo escravo
que era embarcado, eram obrigados a dar voltas em torno
de uma árvore. A árvore do esquecimento.
Os escravos homens deviam dar nove voltas em torno dela.
As mulheres sete voltas. Depois disso supunha-se que os
escravos perdiam a memória e esqueciam seu passado,
suas origens e sua identidade cultural, para se tornarem
seres sem nenhuma vontade de reagir ou se rebelar.
Mas, o escravo não esquecia nada, porque quando chegou
aqui recriou suas divindades. Conseguiu refazer tudo aquilo
que ficou para traz. Hoje, nos diversos estados brasileiros
se tem verdadeiras ilhas de África, pois se mantém
muito vivas as tradições religiosas iorubá
e jêje. Devido à multiplicidade nas origens,
a estruturação e a prática dos rituais
tomaram formas diferentes em cada região do país.
No Batuque do Rio Grande do Sul, também, os religiosos
pertencem a nações diversas, portanto, possuem
tradições diferentes. Todavia, a influência
da nação Ijexá é grande no conjunto
dos rituais africanos executados nos terreiros de origem
Jêje, Oyó e Cabinda.
Orixás
Orixás, regentes do mundo terrestre com várias
definições a seu respeito, mas em princípio
os Orixás são divindades intermediárias
entre o Deus Supremo, Olorum, e o mundo terrestre. Foram
encarregados de administrar a criação e a
continuidade da vida na terra.
Os Orixás se comunicam com os seres humanos através
de vistosos e complexos rituais. As estórias de cada
um são conhecidas através das rezas (cânticos),
suas comidas, no ritmo de seus toques, nas suas cores e
seu domínio em determinadas forças da natureza.
Os Orixás estão subordinados a um Deus Supremo
chamado Olorum ou Olodumare, mas não há nenhum
culto ou altar dirigido diretamente à ele, o contato
é feito através dos Orixás, seus intermediários.
Nossa tradição guarda o axé (força)
de cada Orixá em um Okutá (pedra) que é
colocada em uma vasilha junto a outras “ferramentas”,
que ficam sob a guarda do babalorixá ou Yalorixá;
mas a força maior está solta na natureza,
apenas parte dela, simbolicamente fica no Okutá.
Nas cerimônias para convocar os Orixás, tradicionalmente,
é através de cantos acompanhados com o toque
dos tambores, com ritmos identificados para cada divindade.
As cerimônias são diversas, são ofertados
presentes, comidas diferentes para cada um e sacrifícios
que envolvem animais de quatro pés e aves; tirando
a parte dos Orixás toda carne é consumida
pelos participantes e membros da comunidade. Aos orixás
rogam-se proteção, saúde, paz, em fim,
pedidos específicos às necessidades de cada
um em particular.
Os Orixás intercedem de acordo com o domínio
que cada um exerce sua influência no aspecto da vida,
como por exemplo, Bará para abrir os caminhos, Xangô
para justiça, Oxum para fertilidade e assim por diante.
É magnífico poder escrever sobre a religião
africana, mas há rituais muito particulares, nos
quais alguns praticantes, não estão se preocupando
em guardar o segredo, alguns estão colocando em público,
rituais que os antigos levariam anos, até passarem
para aqueles que mostravam sigilo absoluto, e que guardariam
para confidenciar apenas aos seguidores de merecimento.
Todas as religiões importantes do mundo doutrinam
e ensinam, mas os maiores segredos um mestre só passa
para outro mestre.
Existem aspectos cerimoniais que regulam o relacionamento
dos serem humanos com as divindades. As regras são
muitas, numa espécie de quebra cabeças, com
começo, meio e fim, montado com interpretações
simbólicas dos mitos que envolvem os orixás,
e constituem uma grande rede interligada de deveres e direitos,
obrigações e possibilidades, extremamente
complexa e cheia de nuanças, inclusive possibilitando
diversas variações que só quem é
do meio pode saber e executar. A forma organizada na África
deve ser perpetuada. Não temos o direito de mudar
algo estabelecido a séculos, mesmo que queiram rotular
nossos rituais de primitivos e ultrapassados, temos que
procurar manter a força espiritual que envolve nossa
religião, esta poderosa raiz deixada por nossos ancestrais.
Um caminho que nos faz ter contato com os orixás
é através da incorporação; este
é o processo pelo qual a entidade se manifesta em
seu filho(a) que passou pelos mais diversos rituais de iniciação.
Contudo há casos de incorporação de
não iniciados. É possível uma pessoa
estar assistindo um ritual pela primeira vez e se identificar
com as forças espirituais energéticas referentes
ao seu orixá, e ter esta manifestação
espontânea.
Na maior parte, a manifestação dos orixás
acontece em dias de festas. No batuque, nestas ocasiões,
podemos falar; pedir auxílio, consultar, abraçar
e ser abraçado por eles; em fim pode-se ter um contato
direto com os orixás. Uma característica específica
que diferencia o batuque das demais religiões afro-brasileiras
é o fato do iniciado não saber, em hipótese
alguma, que é incorporado pelo orixá. Esta
peculiaridade provém de longínquas aldeias
do interior da África, e faz parte dos rituais desde
o início da estruturação da religião
no Estado do Rio Grande do Sul a mais de duzentos anos.
Outro caminho que nos leva aos Orixás são
os Búzios. A cerimônia do jogo dos Búzios
é o instrumento usado no dia a dia para consulta
aos Orixás. Através dele podemos receber orientações,
conselhos e advertências.
Os Orixás cultuados no Batuque do Rio Grande do Sul
são: Bará, Ogum, Oyá ou Iansã,
Xangô, Ibêji, Odé, Otim, Obá,
Ossãe, Xapanã, Oxum, Yemanjá e Oxalá. |
BARÁ
Mensageiro divino, guardião dos templos, casas e
cidades. É o dono de todas as portas, de todas as
chaves e de todos os caminhos. É reverenciado em
primeiro lugar em todos os terreiros de nação
africana. Recebe suas oferendas nas encruzilhadas.
Se estiver atrapalhado, sem emprego, sem rumo, ou deseja
realizar qualquer tipo de negócio se apegue com este
Orixá, o Bará pode te dar a solução.
Não existe nenhum terreiro de tradição
africana que não tenha o assentamento do Bará.
Ele é o princípio e o fim de tudo, até
após a morte de um iniciado na religião, o
primeiro a receber ritual é o Bará.
Bará em Yorubá quer dizer força; se
for bem tratado reage favoravelmente em prol de quem lhe
oferendou. Olorum concedeu ao Bará o privilégio
de receber as oferendas em primeiro lugar. Sem ele nossas
orações não seriam ouvidas por nenhum
outro Orixá, nem mesmo no orum.
O dia da semana consagrado ao Bará é a segunda-feira,
sua cor principal é o vermelho.
Os Barás cultuados no Batuque do Rio Grande do Sul
são:
BARÁ LODÊ: Exu Lodê
tem seu assentamento feito do lado de fora do templo. Divide
sua morada com Ogum Avagãn. É o Orixá
que mantém a estrutura do templo; a sustentação
dos terreiros depende do Bará Lodê.
BARÁ ADAGUE: Recebe suas oferendas
nas encruzilhadas; seu assentamento é feito dentro
do templo; é um dos mais requisitados, pois faz a
frente de Ogum, Oyá, Xangô, Odé, Otim,
Obá, Ossãe e Xapanã.
BARÁ LANÃ: Trabalha nos cruzeiros
(encruzilhadas). Tem as mesmas atribuições
do Bará Adague. Responde também nos cruzeiros
de mato.
BARÁ AJELÚ: Este é
o exu que faz a frente dos Orixás de água,
Oxum, Yemanjá e Oxalá.
Além do epô (azeite de dendê) usa-se
mel nas suas oferendas. |
Orixá
 
 
 
 
 
 
|
Ogum Ogum é uma antiga divindade yorubá,
senhor da guerra e do ferro; privilegiado com o dom de dominar
os metais. Foi um dos primeiros Orixás a descer para
a terra e encontrar habitação adequada para
os humanos no futuro. Trabalhava dia e noite em sua forja
para servir todos os humanos. Suas mãos hábeis
transformaram tudo que foi colocado diante dele. Sua capacidade
de criar surpreendeu os outros Orixás. Ogum também
é ligado à agricultura, mas no Brasil é
mais conhecido com deus dos guerreiros.
Ogum é a figura que se repete em quase todas as formas
conhecidas de mitologia universal; é um dos mais
cultuados especialmente por ser associado à luta,
à conquista; assim como Bará é a figura
mais próxima dos seres humanos que o invocam para
vencer a constante luta cotidiana na terra.
Ogum, além de ser deus da metalurgia e da tecnologia,
é o patrono da força produtiva que retrabalha
a natureza, que transforma através do calor e das
repetidas batidas um mineral bruto (ferro) no aço
laminado e suas manifestações práticas
(lança, escudo etc.), aplicadas por extensão,
a qualquer transformação que o homem provoca
na natureza para deixá-la, produtivamente, à
sua disposição.
Ogum é considerado protetor de todos os guerreiros,
e sua relação com os militares tanto vem do
sincretismo realizado com São Jorge, o santo guerreiro
católico, associado às forças armadas,
como da sua figura de comandante supremo yorubá.
Enquanto Xangô julga o certo e o errado depois do
fato consumado, Ogum é empreendedor e decidido, é
o que faz justiça com as próprias mãos,
jamais deixando para outro o que julga ser um problema seu.
Quando irado, é implacável, apaixonadamente
destruidor e vingativo. Quando apaixonado, sua sexualidade
é devastadora, que não se contenta em esperar
e nem aceita rejeição.
Fora da guerra, é um Orixá da alegria, da
diversão, da delícia de viver, especialmente
do contato com os amigos e camaradas etc.
No Rio Grande do Sul cultuamos várias qualidades
de Ogum, entre eles estão o Ogum Avagãn, que
tem seu assentamento junto com o Bará Lodê,
e seus otás ficam do lado de fora do templo em uma
casa individual; Ogum Onira ou onirê, que seria o
rei da cidade de Irê; e Ogum Adiolà, que faz
companhia aos Orixás de água, Oxum, Yemanjá
e Oxalá.
Todos Babalorixás e Yalorixás têm que
ter o assentamento de Ogum em seu terreiro, pois sem ele
não poderiam fazer uso do axé de obé
(faca) em seus rituais. Suas cores são o vermelho
e verde, porém, alguns sacerdotes da antiguidade
usavam também o azul marinho em seus fios de contas.
O dia de Ogum é quinta-feira, e o sincretismo é
com São Jorge.
|
Orixá
 
 
|
Oya / Iansã
Oyá
é a primeira entidade feminina a surgir nas cerimônias.
Esposa de Ogum, largou-o quando se deixou fascinar pelo
magnetismo de Xangô. Nesse ponto as lendas se dividem.
Algumas atribuem à Iansã uma imensa e terrível
paixão por Xangô, sentimento este que se manifesta
através de sua eterna presença ao lado dele.
Dado o seu caráter extrovertido, Iansã permanecia
ao lado de Xangô não só no dia-a-dia
cotidiano, mas também nas guerras, nas caçadas
e qualquer outra situação. Há diversas
lendas a respeito deste triangulo amoroso mais conhecido
do batuque, de qualquer forma, a paixão de Ogum por
Iansã sobreviveu à separação.
De acordo com as diferentes interpretações,
tornaram-se inimigos de morte por causa disso. Os duelos
entre Ogum e Oyá constituem uma das cerimônias
coreográficas mais bonitas dos terreiros brasileiros.
Além de Xangô, Oyá é o único
orixá que não teme os Eguns, é a guardiã
do reino entre a vida e a morte, é ela quem dá
assistência na transição final; ela
pode reter o espírito da morte ou chamá-lo
adiante, ela é o último suspiro. Oyá
rege os cemitérios e os mortos.
Ninguém quer enfrentar Iansã numa batalha
por que ela é tão feroz e astuta como qualquer
homem, nem um outro Orixá quer lidar com a ira de
Oyá. Não há receios à Oyá,
exceto Xangô.
Ela é conhecida por sua inteligência, independência,
coragem, graça, sensualidade, poder e paixão
intensa.
É dito e conhecido que Oyá é muito
leal aos seus filhos e perigosa para seus inimigos. Ela
pode vir tão suave e fresca como uma brisa de verão
ou violenta e cruel como um furacão e causar devastação
total em seu mundo.
Olorum deu à Oyá a responsabilidade a responsabilidade
de limpar a atmosfera ao redor do planeta e proporcionar
o equilíbrio de gases para sustentar toda forma de
vida.
Embora Oyá seja forte e guerreira brilhante, ela
também é bonita e elegante. Ela gosta do calor
da batalha, tanto como Xangô, mas nunca perde sua
feminilidade. Seu sincretismo é com Santa Bárbara;
seus dias da semana são terça e quinta-feira
e suas cores são o vermelho e o branco. |
 
 
|
Xangô Xangô
é um dos Orixás mais populares no Brasil e
na África. Divindade do fogo, do raio e do trovão.
Representa a lei e a justiça.
Na mitologia, é atribuído a Xangô o
reinado sobre a cidade de Oyó, na Nigéria.
A imagem de poder está sempre associada à
sua figura; não apenas o poder real, mas também
o poder merecido, cujas determinações não
podem ser questionadas, não apenas por seu autoritarismo,
mas principalmente por sua credibilidade, sendo suas decisões
consideradas tradicionalmente acertadas e sábias.
Xangô decide sobre o bem e o mal, possui a capacidade
de inspirar a aceitação inconteste de suas
decisões, tanto pelo seu poder repressivo como pela
sua retidão e honestidade quase que inquebrantáveis.
Miticamente, o raio é uma de suas armas, que ele
envia como castigo, nunca impensado ou arrebatado, mas após
um processo onde todos os prós e contras foram pesados.
Toda essa imagem faz com que Xangô seja associado,
na natureza, à firmeza da rocha; duro e estável.
A popularidade de Xangô é tão grande
que, em algumas regiões como Pernambuco, seu nome
é utilizado para a designação de todo
um culto.
Toda a gravidade e firmeza atribuídas a Xangô
não o afastam das características humanizadoras
que possuem outros orixás. Xangô teria como
seu “ponto fraco” a sensualidade e o prazer.
É apontado como uma figura vaidosa em muitas lendas
e cantigas, tendo três esposas: Iansã, Oxum
e Obá.
Uma lenda conta que Xangô era freguês do ferreiro
Ogum. Ia frequentemente à sua casa, muito arrumado,
lançando olhares sobre Iansã, que finalmente
abandonou a casa de Ogum para ficar com seu conquistador.
Mais tarde ele ficou fascinado pela beleza de Oxum e passou
a persegui-la incessantemente. Algumas estórias contam
que Xangô só não a violentou porque
Exu o impediu. Outras versões dizem que Xangô,
cavalheirescamente, se postou aos pés de Oxum, em
prova do respeito que lhe despertava. Ainda existem versões
que responsabilizam a Oxum por ter dominado a situação,
ao impor a Xangô que dormisse a seus pés, evitando
com sua determinação, a violência.
Qualquer das versões apresentadas atesta o caráter
arrebatador de Xangô no amor, oposto à sua
postura mais sólida nas demais questões.
O prato predileto de Xangô é o Amalá;
suas cores são o vermelho e o branco, e o dia consagrado
à Xangô no RS é a terça-feira.
Seu sincretismo é com São Jerônimo e
São Miguel Arcanjo. |
Orixá
 
 
|
Ibêje - Ìbeji Divindades
ligadas ao culto de Xangô e Oxum.
Ibêji são entidades cultuadas no batuque do
Rio Grande do Sul, como entidades gêmeas que formam
um único orixá, permanentemente duplo, formado
por entidades distintas, que coexistem, representando o
princípio básico da dualidade. São
orixás crianças. Seu assentamento é
feito em imagens esculpidas em madeira.
São orixás de grande prestígio em todos
os cultos afro-brasileiros. A maior homenagem aos Ibêji
consiste em uma mesa (toalha arreada no chão), na
qual se serve somente crianças com até sete
anos de idade. A à elas são servidos uma canja
feita com as aves sacrificadas aos orixás Ibêji,
doces, frutas, balas, pirulitos, em fim todas guloseimas
que as crianças adoram.
As cores dos Ibêji são variadas, menos o preto;
seu sincretismo é com São Cosme e São
Damião. |
Orixá
 
 
|
| Odé Odé, Rei de Keto, o deus da caça,
excelente pescador. Também conhecido pelo nome de
Oxóssi, ao contrario dos Orixás que lutam
contra outros exércitos, seu combate é mais
cotidiano, nas matas, pelos animais que vão garantir
a alimentação de sua família.
O conceito de liberdade e de independência em Odé
é muito claro em sua personalidade básica.
Odé, jovem guerreiro, tem o temperamento forte, determinado,
estratégico e empreendedor.
Como Orixá, sua responsabilidade principal em relação
ao mundo é a garantia da vida dos animais, para que
eles possam ser caçados e a alimentação
dos seres humanos esteja assegurada.
Uma das lendas sobre Odé diz que em uma de suas caçadas
ele foi enfeitiçado por Ossãe, apesar dos
avisos de Yemanjá para que tomasse cuidado. Ficando,
então sob o controle de Ossãe, ele afastou-se
da família até que este encantamento fosse
quebrado. Retornado para a mãe, Odé foi recebido
por uma Yemanjá intransigente, irritada por não
ter sido ouvida pelo filho. Rejeitado por ela, Odé
voltou à floresta, para a influência de Ossãe,
o que levou Ogum a se rebelar contra Yemanjá, censurando-lhe
o comportamento para com seu irmão. Essa crise familiar
foi responsável pelo descontrole de Yemanjá,
que chorando desesperada, desmanchou-se em suas próprias
lágrimas e transformou-se num rio que corre para
o mar.
Como não poderia deixar de ser, o símbolo
de Odé é um arco e flecha; usa também
o bodoque e lança; sua cor é o azul marinho
e seu sincretismo no Rio Grande do Sul é com São
Sebastião. |
Orixá
 
 
|
| Otim Otim
é um Orixá feminino, cultuado no Brasil, principalmente
no Rio Grande do Sul. É o nome de um rio que corre
entre Ilorim e Ibadã, na Nigéria.
Otim é a companheira inseparável de Odé,
assim como este, usa arco e flecha para acertar sua caça
e a lança para pescaria. Carrega na cabeça
um Cântaro cheio de água utilizada em suas
lidas cotidianas. Come toda espécie de caça,
mas seu prato predileto é a carne de porco.
Otim faz parte do erumalé de quase todos os sacerdotes
aqui no Rio Grande do Sul. Quem faz o assentamento de Odé
é obrigado a fazer junto às obrigações
de Otim. |
Orixá
 
 
|
| Obá Orixá
feminino de origem nagô cultuada no Brasil, conhecida
principalmente pelo fato de fazer parte nas lendas referentes
a Xangô e suas três mulheres – Iansã,
Oxum e Obá.
O conceito básico ligado à Obá é
o da paixão, mas não na perspectiva controlada
de Oxum nem na proposta feliz e libertária de Iansã,
a deusa dos amores arrebatados e absolutos. Para Obá,
paixão é razão de sofrimento, de disputa
e de submissão mal-aceita.
Conta uma das lendas mais conhecidas a seu respeito que
Xangô mantinha um relacionamento cheio de altos e
baixos com Iansã, e que sua esposa favorita era Oxum.
Obá era a terceira neste casamento polígamo,
e nunca podia rivalizar com as outras duas antagonistas,
mais cheias de brilho e força (Iansã) ou beleza
e inteligência (Oxum).
Obá era insegura em relação a tudo
que se relacionava com seu marido, pois era uma figura sem
muitos atrativos físicos e um pouco seca e ríspida
no seu comportamento diário. Era, porém, extremamente
crédula, e, sabendo que Xangô apreciava muito
as constantes receitas de culinária que Oxum lhe
preparava, mostrou-se disposta a aprendê-las. Esta,
contudo, dona de um caráter exclusivista, não
estava disposta a ensinar à concorrente como agradar
a Xangô, e resolveu enganar sua rival: marcou um horário
para que Obá fosse à sua casa aprender a receita
que teria poderes mágicos sobre a sexualidade de
Xangô.
Quando Obá surgiu, Oxum cozinhava uma sopa que continha
dois grandes cogumelos. Usava um pano amarrado à
cabeça, escondendo as orelhas, e disse à Obá
que estava preparando um caldo com suas próprias
orelhas, pois essa era a receita favorita de Xangô.
Obá, então, preparou uma sopa onde cortou
e incluiu uma de suas próprias orelhas, e a serviu
feliz para o marido.
Como era de se esperar, a reação de Xangô
perante a imagem da esposa com uma orelha cortada foi tremendamente
negativa; e piorou ainda mais quando ele viu o prato de
comida que o esperava. Além de ser repreendida por
Xangô, Obá ainda teve que suportar a troça
de Oxum, que, descobrindo suas orelhas, revelou à
rival que tudo tinha sido apenas um truque. Elas, então
se engalfinharam numa terrível luta física,
que só terminou com uma explosão de cólera
da parte de Xangô; o que fez as duas fugirem apavoradas,
cada uma para uma lado, transformando-as nos rios que atualmente
levam seus nomes.
Obá responde pelos amores com perturbações,
ciúme, desonra e falsidade. O corte, a navalha, a
roda, a direção, as máquinas, agulha
de costura, tesoura são de seu domínio. Come
cabra mocha; sua cor é o marrom e o rosa, seu dia
da semana é segunda-feira e seu sincretismo no batuque
é com Santa Catarina. |
Orixá
 
 
|
Ossain Orixá
masculino de origem ioruba, cultuado no Brasil. Ligado às
florestas como
Odé, Ossãe possui, entretanto, atribuições
bem diferentes: cabe a ele cuidar das ervas medicinais e
sagradas e, por correlação, de todo e qualquer
conhecimento técnico mais aprofundado. Apresentado
costumeiramente como uma figura reservada e misteriosa,
transmite a seus filhos um grande equilíbrio nas
decisões e certo distanciamento quanto aos amigos,
além de notável eficiência no trabalho,
onde atende tudo e todos com perfeição.
Sua ligação primordial é com a vegetação,
com as plantas, mas não obrigatoriamente com os vegetais
destinados à alimentação. Sua especialidade
são as plantas medicinais, destinadas à cura
e as cerimônias da religião, sendo sua presença
indispensável para a realização de
qualquer procedimento de iniciação ou de curas
nos rituais africanos.
Segundo as lendas cada orixá tem suas ervas e folhas
particulares, circunscritas a seu campo específico
de ação, mas tal poder é restrito perto
do controle total que Ossãe tem sobre esse tipo de
conhecimento. Toda atividade de Ossãe é cercada
de cuidados quase que ritualísticos. Ossãe
é orixá extremamente poderoso, pois detém
o saber que permite a realização da maior
parte dos rituais.
Da mesma maneira que sua especialidade, apesar de muito
importante, não faz parte das atividades cotidianas
como a luta, a conquista, a comunicação ou
a caça, constituindo-se mais uma técnica,
um ramo do conhecimento que é empregado quando necessário
– o uso ritualístico das plantas para qualquer
cerimônia litúrgica como forma condutora da
busca do equilíbrio energético. Também
não faz parte do conjunto de lendas de Ossãe
um número de relações familiares e
amorosas de destaque. Geralmente é apresentado como
um ser solitário, vagando nebulosamente pela floresta
e não habitando nenhum lar específico.
No batuque do Rio Grande do Sul, sua imagem é representada
por um ser sem uma das pernas. Faz uso de muleta para se
deslocar, seu sincretismo em alguns terreiros é com
São Roque, sua cor é o verde claro, e seu
dia da semana é segunda-feira.
|
Orixá
 
 
|
Xapanã Xapanã
é o orixá que detém o poder sobre a
doença, tanto para causá-la como para curá-la.
É uma entidade sombria, tida entre os iorubanos como
ameaçadora e temível caso não seja
devidamente cultuada.
Também é conhecido como omulu e Obaluaiê,
cujos mitos e a própria figura são cercados
de algum mistério. Em termos gerais Xapanã
controla todas as doenças, especialmente as epidêmicas.
É o “deus da varíola”, mas este
conceito é uma evidente limitação,
já que a varíola era uma das epidemias mais
comuns e devastadoras da comunidade original africana onde
ele surgiu, o Daomé.
Orixá de origem Jêje, posteriormente assimilada
pelos iorubás, o que marca bem a diferença
de comportamento básica: enquanto os orixás
iorubanos são mais extrovertidos e passionais, alegres
e humanos, as figuras daomeanas estão mais associadas
ao conceito de castigo e punição, sendo sempre
mais austeras no comportamento mitológico, mais graves
e conseqüentes em suas ameaças; todas têm
um potencial de repressão em relação
aos seres humanos, muito mais explicito que as divindades
iorubás, estas mais tolerantes.
Xapanã é orixá que se for bem cultuado
pode levar seus seguidores a terem um padrão de vida
muito elevado. No entanto, se os rituais realizados não
estarem de acordo com os fundamentos, poderá levá-los
a mais completa miséria.
Um feitiço ou um pó de Xapanã bem executado
pode arrasar uma comunidade inteira. É o dono da
ferida, da lepra e da miséria. Trabalha nos matos
e cemitérios, é associado à morte e
a terra. É o dono da vassoura e do espanador, é
o orixá solicitado para fazer todo tipo de limpezas
e levar embora as cargas negativas.
As cores de Xapanã são o vermelho, preto,
lilás e o roxo. Seu dia da semana é quarta-feira
e seu sincretismo em alguns terreiros é com Nosso
Senhor dos Passos. |
Orixá
 
 
|
Oxum Oxum é a Rainha da nação
Ijexá. Sincretizada com diversas Nossas Senhoras
ao longo do Brasil, Oxum manifesta uma delicadeza e juventude
rara em outros orixás femininos. Responsável
pela fertilidade e pelos recém-nascidos é,
sobretudo conhecida por sua beleza, a qual as lendas adornam
com ricas vestes e objetos de uso pessoal. Domina os rios
e cachoeiras, imagens cristalinas de sua influência:
atrás de uma superfície aparentemente calma
podem existir fortes correntes e cavernas profundas.
Oxum é um orixá feminino bastante conhecido
e cultuado no Brasil, onde sua imagem é quase sempre
associada à maternidade, sendo comum ser invocada
através de carinhosa expressão Mamãe
Oxum.
Até mesmo em dias de festas, no batuque do RS, é
nas rezas de Oxum que a maioria dos Orixás se manifestam.
Principalmente da Oxum Docô, que auxiliou na criação
da maioria dos filhos de Yemanjá.
Oxum é o nome de um rio em Oxogbo, província
de Ibadã, na Nigéria. É também
a morada da deusa que lhe dá o nome, sendo ela conhecida
como a dona da água doce. Portanto, seu elemento
natural é o leito dos rios e, especialmente, as cachoeiras,
onde costumam ser-lhe entregues as comidas e os presentes.
Tem a seu cargo o dom da fertilidade, assim como Yemanjá.
É a ela que dirige as mulheres que querem engravidar,
sendo responsabilidade de Oxum também zelar pelas
crianças que estão em gestação
e pelas recém-nascidas.
Além dessas legações, Oxum é
considerada a deusa da beleza,do ouro, do dinheiro, da riqueza,
do amor, da aliança, do casamento, da felicidade,
do perfume, da vaidade, do mel e tudo que é doce.
Oxum é considerada uma das mais belas figuras físicas
do panteão mítico iurobá.
Pela sua beleza, Oxum teria despertado muitos amores. Mas
seu relacionamento mais importante foi com Xangô.
A cor que lhe pertence é o amarelo-ouro, seu dia
da semana é o sábado e, é sincretizada
com diversas Nossas Senhoras. Cultuamos no batuque do RS
várias qualidades de Oxum entre elas a Pandá,
Demum e Docô. No altar de Oxum, além das quartinhas,
pratos, vasilhas com água e axés, costuma
haver flores, perfumes, leques e até bonecas. É
a figura da juventude eterna. Com seu jeito de criança
inconseqüente que julga naturalmente merecer todos
os cuidados e mimos.. |
Orixá
 
 
|
Iemanjá A
Rainha das Águas é famosa em todo o Brasil
pelos cerimoniais a ela dedicados nas praias por ocasião
da passagem do ano. Boa parte dos brasileiros lembra-se
de Yemanjá quando acontece a passagem do ano: é
uma tradição ofertar presentes ao mar, a morada
da deusa, e desse ritual participam pessoas que inclusive
não têm maior ligação com a religião
afro-brasileira.
Orixá feminino de origem iorubá. É
uma das figuras mais conhecidas nos cultos brasileiros,
já que suas festas anuais sempre movimentam um grande
número de iniciados e simpatizantes tanto no batuque,
candomblé e umbanda.
Na África, a origem de Yemanjá é um
rio que vai desembocar no mar e que o formaria. É
a mãe de quase todos os orixás criados originalmente
na cultura iorubá.
Apesar de os preceitos tradicionais relacionarem tanto Oxum
como Yemanjá à função da maternidade,
pode estabelecer-se uma distinção nesses conceitos.
Oxum é a mãe no sentido de fecundação,
gestação e criação do bebê,
enquanto este não aprende nenhuma língua,
enquanto seus mecanismos de personalidade não estão
definidos; Yemanjá, por sua vez, é mãe
daí por diante, é a função de
maternidade enquanto educação. É a
mãe do jovem e do adulto, a figura materna que acompanha
um ser humano toda a vida. Em todas as lendas Yemanjá
nunca surge lidando com crianças, e sim com adultos,
com os quais não hesita usar os típicos truques
associados ás mães possessivas para manter
os filhos consigo.
A cor de Yemanjá é o azul, o dia dedicado
a ela no batuque é a sexta-feira, é sincretizada
com Nossa senhora dos Navegantes. Ela é padroeira
tradicional dos marinheiros, estendo-se essa proteção
a praticamente todos os seres viventes, já que é
a grande mãe do astral. |
Orixá
 
 
|
Oxalá É o orixá mais querido e respeitado
do panteão afro-brasileiro. O branco, símbolo
tradicional da pureza é a cor de tudo que esteja
ligado a Oxalá, o responsável, segundo a mitologia
iorubana, pela criação e administração
do mundo. Rege os demais orixás e, por conseguinte,
os homens. Acima dele só Olorum, o deus supremo iorubá.
Oxalá é a figura paternal, calmo e sereno
nos momentos mais difíceis; uma dignidade distante
e certa tendência à centralização
também fazem parte de sua imagem típica.
Segundo a maior parte dos ítans, ele é pai
de todos os orixás. Filho direto de Olorum ou Olodumare,
Oxalá representa o céu, princípio de
tudo que, ao tocar o mar, na representação
simbólica de um ato sexual, teria criado todos os
outros orixás para que cuidassem dos seres da terra,
os homens, cercados pelos céus e pelo mar de todos
os lados.
Vários nomes são ligados a Oxalá. Na
Nigéria prevalece o nome Obatalá. Em Oko,
Orixaakô; em Ejigbo, recebe o nome de Oguinhã.
Em todos estes locais, porém, é inquestionável
seu posto de supremacia.
Existem diversos tipos de Oxalá, como acontece com
todos orixás africanos, mas neste caso há
um certo destaque para duas de suas formas, justamente Oxalá
mais novo e o Oxalá mais velho.
Oxalá sempre é o último a ser reverenciado
em todas cerimônias dedicadas aos orixás. Sua
cor é o branco, seu dia da semana no batuque é
o domingo. Oxalá velho é sincretizado com
Divino Espírito Santo e Nosso Senhor do Bom Fim,
e o novo com Menino Jesus de Praga. |
Orixá
 
 
|
Outros
Orixás
|